Início GERAL NÍVEL DO LAGO DE FURNAS É UM DOS MAIS BAIXOS DA HISTÓRIA
NÍVEL DO LAGO DE FURNAS É UM DOS MAIS BAIXOS DA HISTÓRIA

NÍVEL DO LAGO DE FURNAS É UM DOS MAIS BAIXOS DA HISTÓRIA

0
0

A situação hídrica no país está cada vez mais grave, e além de ameaçar diretamente o abastecimento de água para as cidades, está comprometendo diretamente as represas, especialmente da região Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou esta semana, que vai revisar a metodologia de cálculo das bandeiras tarifárias, um dos itens responsáveis pela composição do preço final das faturas domésticas e empresariais.
Segundo representantes da autarquia, a mudança de metodologia deve incluir o percentual registrados nos reservatórios das hidrelétricas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, considerando que o país registrou no mês de setembro, umas piores crises hídricas desde 2001.
Para se ter uma ideia, os percentuais registrados na terceira semana de outubro foram os seguintes: Furnas (Sudeste/Centro-Oeste) que representa 17% do subsistema alcançou 13,8% de volume útil. No Nordeste, as usinas totalizaram 7,22% da capacidade, ainda que Sobradinho concentre 58,2% do total.
O ritmo de esvaziamento do lago da Represa de Furnas, está tão acelerado que tem preocupado o setor turístico. De acordo com a associação das empresas de turismo do reservatório, duas das quatro principais atrações estão prestes a ficar inacessíveis por meio aquático: a Cascatinha e o Cânion dos Tucanos. Mas bares flutuantes e atracadouros para barcos e lanchas também foram afetados e ou estão distantes de seus pontos originais ou encalhados. Trabalhadores e turistas reclamam que a hidrelétrica de Furnas tem liberado mais água que o de costume para a época de estiagem (maio a outubro), quando praticamente não há mais chuvas para recargas.
Como consequência, o volume médio útil do lago cai a cada mês. Pior: a quantidade de água que sai do reservatório é mais que o dobro da que chega: 571 metros cúbicos por segundo contra 236m3/s, conforme dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o que explica a indignação de quem sobrevive do turismo ou pesca nas águas da represa.
Já a empresa que administra a hidrelétrica informou que a prioridade do lago é a geração de energia, e que opera de acordo com as determinações do ONS.
Uma das atrações mais procuradas em Furnas é a Cascatinha, uma cachoeira que é encontrada depois de se vencer as intrincadas passagens pedregosas dos cânions, e que desce por mais de 25 metros entre paredões irregulares. O caminho para chegar até a queda d’água é muito estreito e pedras que ficam no fundo podem danificar as embarcações. “Já não estamos conseguindo operar com as atividades turísticas normais há um tempo”, disse o vice-secretário da associação dos trabalhadores do setor de turismo, Ricardo Nascimento Morais.
Várias rampas de lançamento de embarcações já estão expostas além da área construída, o que cria a necessidade de ancoradouros flutuantes, que podem avançar pelo leito seco adiante. Até os bares com dispositivos para boiar, projetados para sofrer menos com o isolamento durante a estiagem, têm sido prejudicados, de acordo com os proprietários, devido a baixa de nível ser rápida demais, o que acaba deixando as estruturas encalhadas.
Procurada para se manifestar sobre a preocupação do setor turístico, a empesa Furnas informou que suas “usinas hidrelétricas são componentes do Sistema Interligado Nacional e sua operação é planejada e programada pelo ONS”. “Os níveis dos reservatórios e a energia despachada são programados pelo ONS, responsável por operar o conjunto de reservatórios brasileiros de forma integrada, com o objetivo de garantir a segurança energética”, acrescentou.
Ao informar que sua represa tem como objetivo prioritário a geração de energia elétrica, Furnas acrescentou que a ocupação para fins comerciais e turísticos do entorno do reservatório ocorreu de forma espontânea por empreendedores locais que buscaram aproveitar o potencial de negócios que se apresentou no lago. Segundo a empresa Furnas é um reservatório de regularização e opera enchendo no período chuvoso (novembro a abril) e sendo esvaziado na estiagem (maio a outubro), o que permite a produção de energia o ano todo e o fornecimento de água rio abaixo.